Emprego: fonte de renda ou de aprendizado?
Quem enxerga a empresa e o seu emprego apenas como fonte de renda está olhando para o lugar errado.
Claro que remuneração importa. Salário, benefícios e segurança financeira são fundamentais.
Mas reduzir o trabalho apenas ao contracheque é uma visão curta.
E, no médio e longo prazo, equivocada.
A empresa, hoje, precisa ser vista também como fonte de aprendizado.
É ali que passamos a compreender a linguagem do mundo corporativo.
Como as decisões são tomadas… as pessoas se comunicam, se posicionam e lidam com conflitos. Como funciona, de verdade, a dinâmica do mercado.
Cursos, formações e idiomas continuam sendo importantes.
Eles fazem parte de nosso esforço contínuo de aprendizado (ou, lifelong learning) e seguem sendo um investimento relevante.
Mas o aprendizado que acontece dentro da empresa é vivo, contextual e prático.
Para quem trabalha para empresas estrangeiras ou quer construir uma carreira como global worker, o mercado nos exige (e ao mesmo tempo, ensina!) outras habilidades
Desenvolver uma mentalidade global, relacionamento intercultural, escuta ativa, leitura de contexto… Reuniões virtuais, trocas informais, linguagem verbal e não verbal com colegas de diferentes idiomas e culturas… Tudo isso também faz parte do trabalho e também ensina.
Mas o aprendizado a que me refiro aqui vai além dessas habilidades mais óbvias.
Estou falando de outro tipo de aprendizado. Sua empresa atual deve ser vista como uma grande escola sobre o mercado.
É ali que entendemos as dores dos clientes, as ineficiências dos processos, o que funciona mal, o que poderia ser feito de outra forma.
E, principalmente, onde existem necessidades não atendidas.
Não é coincidência que muitos negócios bem-sucedidos no Brasil tenham surgido assim.
Não foi numa garagem nem a partir de uma ideia genial que apareceu do nada.
Essa narrativa é muito romantizada.
Na prática, muitas empresas nasceram de profissionais atentos que estavam dentro de organizações. Pessoas que conheciam o problema por dentro, enxergaram oportunidades e com coragem e disciplina decidiram expandir seus horizontes profissionais.
Ao longo da minha trajetória, como executivo e mentor de carreiras, vi isso acontecer diversas vezes. O empreendedor era, antes, um empregado curioso, interessado e atento ao mercado.
Por isso, olhar para o emprego apenas como fonte de renda é limitar-se.
Quando você passa a enxergar a empresa como fonte de aprendizado, não só o seu olhar sobre o seu dia a dia de trabalho muda, como você se abre para novos caminhos.
E é justamente esse olhar que, no futuro, irá te ajudar a transformar aprendizado em novas oportunidades e, quem sabe, diversificar suas fontes de renda.
E aí, como você enxerga o seu trabalho hoje?



