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O poder do nosso vira-lata

Ontem, a newsletter já estava praticamente pronta. O tema seria outro.

Mas à noite decidi ouvir um podcast da Maria Homem e do Felipe Miranda com o Eduardo Giannetti, que para mim foi um dos melhores que ouvi neste ano. Recomendo!

O que mais me chamou atenção foi algo que eu mesmo já repeti várias vezes em entrevistas e conversas: a famosa síndrome do vira-lata. Sempre usei essa expressão para reforçar que o brasileiro não precisa se se sentir diminuído diante de oportunidades globais, porque, na verdade, somos muito valorizados lá fora.

Só que, ouvindo o Giannetti, caiu uma ficha que eu nunca havia pensado.

Ele faz uma crítica à forma como usamos essa expressão e afirma:

“Entre um doberman alemão e um poodle de madame, eu fico com o vira-lata.”

A provocação é interessante: o problema não é ser vira-lata, e sim achar que isso é sinal de inferioridade.

Quando, na verdade, o vira-lata representa exatamente o que temos de melhor: mistura, flexibilidade, improviso, criatividade e humanidade. Ainda mais em tempos em que tudo é digital e “artificial”.

Em vez de importarmos teorias e modelos estrangeiros, o caminho é justamente reconhecermos as nossas forças como brasileiros e aprendermos a usá-las a nosso favor.

É aí que entra o tema desta newsletter: o networking, que eu prefiro chamar de netplaying.

Netplaying é a nossa forma de nos relacionar. Não vem de manual americano, nem depende de roteiro pronto.

É esse jeito brasileiro de ser gentil, curioso, próximo, de criar conexão sem precisar de muita formalidade. E isso, no mercado global, é uma vantagem competitiva enorme.

Para se ter uma ideia, o networking é uma das três formas de entrada para uma vaga remota em empresa estrangeira (segundo pesquisas e minha experiência como mentor de carreiras). São elas:

  1. Ser encontrado passivamente por um recrutador, o que acontece principalmente com profissionais muito específicos ou de áreas com alta demanda.
  2. Aplicar proativamente para vagas, alinhando sua narrativa e estratégia ao que o mercado busca.
  3. E o networking (ou melhor netplaying) que quanto maior a senioridade e maturidade, mais se torna a principal forma de contratação em empresas globais.

Nos relacionar de forma fluida, colaborativa, sem esperar nada em troca ou como se a vida fosse um manual sobre “como se relacionar, fazer amigos, vender, conquistar clientes etc”.

Voltando às palavras de Gianetti, o brasileiro tem um capital relacional enorme e isso terá cada vez mais valor nesse novo mundo do trabalho.

Então, deixo a pergunta:

Como você pode se apropria dessa nossa mistura e humanidade para construir conexões que abrem caminhos na sua carreira? Em outras palavras, você já tinha se dado conta de que temos nossa própria forma de fazer “netplaying”?

Se você quiser entender melhor como o netplaying se encaixa na construção de uma carreira global, recomendo meu livro Global Workers: Escolha seu melhor futuro. Nele, aprofundo esse olhar sobre as nossas forças como brasileiros e mostro como transformá-las em estratégia concreta para conquistar uma vida com liberdade, flexibilidade e boas oportunidades no mercado de vagas remotas globais.

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