O que eu faria profissionalmente se tivesse 20, 30 ou 40 anos hoje
Nos últimos dias, descansando nesse feriado de Carnaval aqui em São Miguel dos Milagres andei refletindo sobre muitos assuntos.
O corpo desacelera, mas a mente não para. É o tal “macaquinho” que mora nas nossas cabeças, também conhecido na meditação como “monkey mind”.
Entre um mergulho no mar, uma pedalada por aquele vasto litoral alagoano, e muita conversa com amigos, juntei as perguntas mais frequentes que costumo receber dos leitores e seguidores.
Qual formação melhor garante uma carreira com flexibilidade, liberdade e boa remuneração?
Essa pergunta nasce de uma herança academicista que enxerga o mundo do trabalho como categorias fixas, definidas pelo diploma.
Começo sempre afirmando que não é uma questão de conteúdo, por exemplo, “Sou” engenheiro, advogado, administrador etc.
É muito mais uma questão de forma e de mudança de mentalidade.
Indo direto ao ponto, essa reflexão me levou a um exercício que pode ajudar você que também está “preso” ao modo de pensar da formação.
Se eu tivesse 20 anos hoje, diante das incertezas sobre o tal “futuro do trabalho” e movido pelos anseios de flexibilidade e liberdade.
- Eu trataria meu primeiro emprego como uma escola.
- Mas junto com autonomia e aprendizado contínuo.
- Aprenderia inglês com disciplina diária.
- Escolheria uma habilidade técnica global e ficaria muito bom nela.
- Tentaria trabalhar remoto o quanto antes, de preferência em projetos conectados a outros lugares do mundo.
- E começaria cedo algo que pouca gente leva a sério: uma reserva de emergência.
- Ter alguns meses de segurança financeira muda completamente a forma como você poderá tomar decisões lá na frente.
- Eu sei que isso é muito difícil no Brasil, mas quem ainda mora com os pais ou divide a moradia com amigos pode se dar a esse luxo.
- Construir 3, 6 ou 9 meses de segurança financeira muda completamente a forma como você vai poder tomar decisões lá na frente.
- Ela compra tempo e liberdade de escolha.
Se eu tivesse 30 anos hoje com as pressões por segurança e boa remuneração aumentando, eu cuidaria do meu ego.
- Teria certeza de que minha identidade não está dependente do meu cargo.
- Perguntaria: “Se essa empresa acabar amanhã, o que eu faço?”.
- Buscaria trabalhar em ambientes conectados com outros países. Não apenas para usar o inglês, mas para conviver com diferentes culturas, formas de pensar, negociar e decidir.
- Trabalhar com pessoas de outros lugares forma você profissionalmente de um jeito que nenhum curso forma.
- Continuaria vendo o emprego como fonte de aprendizado, não apenas de renda.
- Mapearia o mercado constantemente.
- Transformaria meus pontos fortes em ativos.
- E reforçaria a reserva.
- Essa fase costuma coincidir com morar sozinho, assumir mais compromissos e, em muitos casos, começar uma família.
- É um pouco o universo do homem aranha. “Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades.
- Apenas cautela para esse custo não te engessar.
Se eu tivesse 40 anos hoje eu otimizaria energia.
- Escolheria melhor onde investir minha experiência e força de trabalho.
- Monetizaria experiências adquiridas.
- Reduziria dispersões.
- E teria ainda mais disciplina financeira.
- Quando filhos crescem e responsabilidades aumentam, autonomia também passa por previsibilidade.
- Aqui a questão do tempo, que era tão importante para você aos 20 e poucos (só que por motivos diferentes), volta com força total.
- O que estou fazendo da minha vida? Como passo meus dias? Quanto tempo passo com meus filhos, pais e amigos queridos?
- Aqui a boa remuneração passa a ser tão importante quanto nossa autonomia e liberdade.
Só para tirar um pouco o peso desse texto. A verdade é que, quando eu tinha 20, 30 ou 40 anos, eu não pensava dessa forma.
Era outra época e eu não tinha essa clareza. Nunca tive alguém que pudesse me orientar com as minhas escolhas profissionais.
Fui aprendendo ao longo do caminho nos erros e acertos da vida.
Então se você puder tirar algum aprendizado dessas linhas, me responde por e-mail ou mensagem.
E se quiser aprofundar essa visão de carreira com olhar para o futuro do trabalho recomendo meu livro Global Workers: Escolha seu melhor futuro.
No próximo mês ele completa um ano, e sigo recebendo mensagens de leitores que começaram a reorganizar suas decisões profissionais depois da leitura. Não é teoria vazia, mas método e ação.



